frequentemente sinto que eu estou correndo de um vazio que já me alcançou
Subo pelas paredes do poço um pouco a cada dia e em dias como hoje caio de novo. Mergulho na água porque com o rosto molhado ninguém vê o choro.
esse texto é sobre luto, desculpe.
tento me levantar todos os dias e é uma luta interminável. há uma linha tênue entre a vida e a morte. estou nessa corda bamba me equilibrando, prestes a cair para o lado de lá. as lágrimas caem e me cortam como giletes, queimam meu rosto como um metal em ponto de fusão e tudo que sinto é essa vontade de derreter junto aos sentimentos ruins. sumir sem deixar rastros.
eu me sinto tão triste
um tipo de tristeza que me suga
que não tenho energia para lutar contra
eu só aceito
e afundo.
voarias
Todas as noites, a ansiedade se alimenta vorazmente do meu fôlego, consumindo minhas esperanças e sonhos. Ela tece teias escuras ao redor do meu coração, uma prisão que aperta a cada suspiro, me lembrando que sua presença perdurará até o último alento da minha existência.
Eu quero ficar aqui encolhido na cama e fingir que o mundo lá fora não me pesa tanto.
às vezes eu tenho vontade de pegar minhas coisas e ir embora.
sem dar explições, sem dar tchau, só pegar o que me restou e ir.me sinto tão cansado de tudo.
são nas noites de sexta quando todo mundo que você conhece tá em festas ou em barzinhos com os amigos aproveitando um pouco o que a vida tem a oferecer que você se dá conta de como se perdeu no caminho, de como buscar por outra garrafa de vodka no armário as duas e meia da manhã mostra como a solitude que você tanto dizia amar pouco a pouco se tornou em solidão, virou um eco do que um dia era grandioso e bonito e hoje é só um vácuo entre os sons que uma casa pode vir a ter de madrugada
é na manhã do dia seguinte que a dor de cabeça e confusão vêm pra te lembrar que tudo isso é só estupidez, e que talvez uns sejam sim mais sozinhos que os outros e que talvez pra que se seja sozinho tenha que ser igualmente forte pra dar conta de sustentar a própria existência nas costas
não há ninguém te esperando lá fora
não há uma vida no paraíso depois do seu fim
não tem deus ouvindo suas orações a noite quando você pede desesperadamente por um caminho, uma direção
e nas noites de sábado você se enrola ao meio dos cobertores que deixou largado na cama durante o dia e se encontra no mesmo ponto da noite anterior
e da semana anterioro
e do mês anterior
e percebe que a vida tem desses ciclos viciosos que parecem não ter fim e que por vezes nada vai te livrar da loucura que é se repetir
mas tem a música, e os quadros em museus, e algumas paisagens bonitas, e gente que sorri pra você no meio da rua, e os poemas que você começou mas nunca terminou, e os livros do bukowski e da lispector e da wolf esperando pra serem lidos, e a chuva e seus trovões e tudo que remete o caos e a inconstância
ainda tem tanto
e eu sou tão pouco
A culpa
Sentimos culpa por não conseguir dar conta das demandas, e por estarmos descansando. Sentimos culpa por não comer, e por comer demais. Sentimos culpa por não termos energia para limpar, e por estarmos em um ambiente desorganizado. Sentimos culpa por não dizer como nos sentimos e também, por dizer mais que devíamos. A gente acorda e dorme devendo todos os dias, porque o saldo da perfeição não fecha; ela não existe. E quanto mais rápido aprendermos a colocar o auto perdão em prática, menos fardos iremos carregar conosco.
abismoadois
Eu sei que existem pessoas com problemas maiores que os meus, mas não quer dizer que eu não tenha o direito de me sentir mal pelo que acontece ou pela dor que sinto; cada pessoa sente na sua intensidade. Não menospreze a minha dor.
Nessa Cross
Notas sobre mim:
Algumas vezes, ter depressão é como aparecer uma marca roxa no seu corpo do nada ou um corte que você não sabe onde se machucou. Você só sabe que dói
eu continuo
e às vezes
continuar não faz sentido.